Mar de mágoas sem marés Onde não há sinal de qualquer porto De lés a lés o céu é cor de cinza e o mundo desconforto No quadrante deste mar que vai rasgando Horizontes sempre iguais à minha frente Há um sonho agonizando, lentamente, tristemente Mãos e braços, para quê? E para quê os meus cinco sentidos? Se a gente não se abraça e não se vê, ambos perdidos Nau da vida que me leva naufragando em mar de treva Com meus sonhos de menina, triste sina Pelas rochas se quebrou e se perdeu a onda deste sonho Depois ficou uma franja de espuma a desfazer-se em bruma No meu jeito de sorrir ficou vincada a tristeza de por ti não ser beijada Meu senhor de todo o sempre, sendo tudo, não és nada Mãos e braços, para quê? E para quê os meus cinco sentidos? Se a gente não se abraça e não se vê, ambos perdidos Nau da vida que me leva naufragando em mar de treva Com meus sonhos de menina, triste sina